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Set
29
CRUZ : Salvação e vida para os cristãos
  • Autor: Vinicius de Lima Podda
  • Categoria: Notícias
image No dia 14 de setembro, a Igreja celebra a Festividade  da Exaltação da Santa Cruz, em  que os cristãos recordam, mais  do que a Paixão, a vitória de  Cristo sobre o pecado e a morte  e o instrumento de santidade e  salvação para cada um de nós.  Para recordar essa festa recente,  o Kerigma traz aos seus leitores  as reflexões sobre o tema que o  Papa Francisco levou à Via Sacra  da última Jornada Mundial da  Juventude. 
Em plena consonância com  sua linha de exortação eminentemente missionária e  evangelizadora, o Papa reflete  sobre os sofrimentos morais,  sociais e espirituais que assolam  a humanidade de hoje; e ressalta  a importância do agir concreto  para fazer presente o amor e a  ternura de Deus em meio a eles:  “‘Tive fome e destes-me de comer,  tive sede e destes-me de beber,  era peregrino e recolhestes-me,  estava nu e destes-me que vestir,  adoeci e visitastes-me, estive na  prisão e fostes ter comigo’ (Mt 25,  35-36). Estas palavras de Jesus  vêm ao encontro da questão que  muitas vezes ressoa na nossa  mente e no nosso coração: ‘Onde  está Deus?’ Onde está Deus, se  no mundo existe o mal, se há  pessoas famintas, sedentas, sem  abrigo, deslocadas, refugiadas?  Onde está Deus, quando morrem  pessoas inocentes por causa da  violência, do terrorismo, das  guerras? Onde está Deus, quando doenças cruéis rompem laços  de vida e de afeto? Ou quando as  crianças são exploradas, humilhadas, e sofrem – elas também  – por causa de graves patologias?  Onde está Deus, quando vemos  a inquietação dos duvidosos e  dos aflitos na alma? Há perguntas para as quais não existem  respostas humanas. Podemos  apenas olhar para Jesus, e perguntar a Ele. E a sua resposta  é esta: ‘Deus está neles’, Jesus  está neles, sofre neles, profundamente identificado com cada um.  Está tão unido a eles, que quase  formam ‘um só corpo’.”
Continua o Papa: “Foi o próprio  Jesus que escolheu identificar-Se  com estes nossos irmãos e irmãs  provados pelo sofrimento e a  angústia, aceitando percorrer o  caminho doloroso para o calvário.  Ao morrer na cruz, entrega-Se  nas mãos do Pai e leva consigo e  em Si mesmo, com amor de doação, as chagas físicas, morais e  espirituais da humanidade inteira. Abraçando o madeiro da cruz,  Jesus abraça a nudez e a fome, a  sede e a solidão, a dor e a morte  dos homens e mulheres de todos  os tempos.”
Aqui entram as obras de misericórdia; ações concretas que têm  um ponto em comum: “o dom de  si mesmo”. Diz o Vigário de Cristo na Terra: “hoje a humanidade  precisa de homens e mulheres,  particularmente jovens como vós,  que não queiram viver a sua existência ‘à metade’, jovens prontos  a gastar a vida no serviço gratuito aos irmãos mais pobres e  mais vulneráveis, à imitação de  Cristo, que Se doou totalmente  a Si mesmo pela nossa salvação.  Perante o mal, o sofrimento, o  pecado, a única resposta possível  para o discípulo de Jesus é o dom  de si mesmo, até da própria vida,  à imitação de Cristo; é a atitude  do serviço. Se alguém, que se diz  cristão, não vive para servir, não  serve para viver. Com a sua vida,  renega Jesus Cristo”.
Falando do dom-de-si o Bispo  de Roma introduz o tema da cruz  dizendo: “Nesta noite, queridos  jovens, o Senhor renova-vos o  convite para vos tornardes protagonistas no serviço; Ele quer fazer  de vós uma resposta concreta às  necessidades e sofrimentos da  humanidade; quer que sejais um  sinal do seu amor misericordioso  para o nosso tempo! Para cumprir esta missão, Ele aponta-vos  o caminho do compromisso  pessoal e do sacrifício de vós  próprios: é o Caminho da cruz.  O Caminho da cruz é o caminho  da felicidade de seguir a Cristo  até ao fim, nas circunstâncias  frequentemente dramáticas da  vida diária; é o caminho que  não teme insucessos, marginalizações ou solidões, porque  enche o coração do homem com  a plenitude de Jesus. O Caminho  da cruz é o caminho da vida e do  estilo de Deus, que Jesus nos leva  a percorrer mesmo através das  sendas duma sociedade por vezes  dividida, injusta e corrupta.”
Carregar a cruz não pode ser  um voluntarismo mas sim o  fruto de uma caminhada de fé, e  por isso é um dom de Deus e um  sinal de seu amor e providência  no meio dos que desesperam. É  neste sentido que afirma o Papa,  no encerramento de sua reflexão  na via sacra, que “O caminho da  cruz não é um caminho masoquista. O caminho da cruz é o  único que vence o pecado, o mal  e a morte, porque desemboca na  luz radiosa da ressurreição de  Cristo, abrindo os horizontes da  vida nova e plena. É o Caminho  da esperança e do futuro. Quem  o percorre com generosidade e fé  dá esperança e futuro à humanidade. E eu gostaria que vós fostes  semeadores.”