Publicado em 9 de agosto de 2026
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Segundo dia da Novena de Nossa Senhora da Esperança

Nem sempre Deus se manifesta da maneira que esperamos.

Às vezes procuramos sua presença nos grandes acontecimentos, nas respostas extraordinárias, nos sinais evidentes. Mas a Primeira Leitura do segundo dia da Novena de Nossa Senhora da Esperança nos apresenta uma imagem diferente: depois do vento forte, do terremoto e do fogo, o profeta Elias encontra Deus na brisa suave.

Foi a partir dessa passagem que Pe. Getson Pereira da Silva, Vigário do Santuário Imaculado Coração de Maria, no Park Way, conduziu a reflexão desta noite, aproximando a experiência do profeta Elias da vida de Maria.

Deus também fala no silêncio

Elias havia acabado de viver uma grande experiência no Monte Carmelo. Diante dos profetas de Baal, experimentara uma manifestação poderosa de Deus. Mas aquela vitória não produziu a transformação que ele esperava.

Perseguido e ameaçado de morte, Elias foge para o deserto e atravessa uma profunda crise interior. Chega a questionar o sentido de sua missão e a desejar a própria morte. É justamente nesse momento de fragilidade que Deus se aproxima dele.

No Horeb, Elias espera encontrar novamente Deus em uma grande manifestação. Vem um vento forte, mas o Senhor não estava no vento. Depois, um terremoto. Depois, o fogo. E o Senhor também não estava neles.

Então vem a brisa suave: é ali que Elias reconhece a presença de Deus.
A experiência ensina algo fundamental: o silêncio não significa necessariamente ausência de Deus. Muitas vezes, é justamente no silêncio que Deus fala.

Maria também acolheu Deus na simplicidade

Séculos depois, Maria vive uma experiência que guarda uma profunda sintonia com a de Elias.

Deus não entra na história por meio de uma grande manifestação diante de multidões. Não há fogo, terremoto ou vento poderoso. O anúncio acontece no silêncio de uma casa em Nazaré.

Maria recebe uma palavra que ultrapassa sua compreensão e, diante dela, não tenta controlar o mistério. Ela se abre à ação de Deus e responde: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra.”

Maria não tinha todas as respostas. Ela não compreendia plenamente tudo aquilo que estava acontecendo. Mas confiou. Seu coração tornou-se lugar de escuta e acolhimento da Palavra de Deus. E aquilo que começou no silêncio de Nazaré transformaria para sempre a história da salvação.

Uma fé que atravessa as crises

A reflexão também nos lembra que escutar Deus não significa ter uma vida livre de dificuldades.

Elias atravessou a crise antes de receber uma nova missão. Maria também percorreu um caminho marcado por incompreensões e sofrimentos: a pobreza de Belém, a fuga para o Egito, a perda de Jesus no templo e, finalmente, a dor da cruz.

Sua fé não foi uma fé sem sofrimento.

Foi uma fé que permaneceu firme mesmo quando ela já não compreendia completamente os caminhos de Deus.

E essa talvez seja uma das grandes lições que Maria oferece a cada um de nós. Fazer a vontade de Deus não significa necessariamente entender tudo o que Ele está fazendo. Significa confiar nele mesmo quando não temos todas as respostas.

O encontro com Deus nos coloca em missão

Há ainda outra aproximação entre Elias e Maria: o encontro com Deus nunca termina em nós mesmos.

Depois de encontrar o Senhor no Horeb, Elias retoma seu caminho e recebe novamente uma missão.

Maria, depois de acolher o anúncio do anjo, coloca-se imediatamente a serviço. Sua vida passa a participar da história da salvação e, mais tarde, ela permanece junto aos discípulos e está presente no nascimento da Igreja em Pentecostes.

Quem encontra Deus não se fecha em si mesmo. A presença de Deus transforma a vida e nos envia novamente ao encontro dos outros.

Aprender a reconhecer a brisa suave

Vivemos cercados de barulho. Somos constantemente estimulados por informações, opiniões, imagens e acontecimentos. Talvez por isso uma das grandes necessidades espirituais do nosso tempo seja justamente aprender a fazer silêncio. Não porque Deus esteja distante, mas porque precisamos estar disponíveis para ouvi-lo.

Elias nos ensina a reconhecer Deus na brisa suave. Maria nos ensina a acolher sua Palavra com um coração humilde e disponível.

Deus continua entrando na nossa história de maneiras simples. Continua falando ao coração daqueles que se dispõem a escutar. Continua convidando cada pessoa a deixar que sua Palavra transforme a própria vida.

A pergunta, então, não é apenas se Deus está falando. É se temos feito silêncio suficiente para ouvi-lo.

Peçamos a Maria que nos ensine a ter um coração como o seu: aberto, humilde e disponível. Que saibamos reconhecer a presença de Deus não apenas nos grandes acontecimentos, mas também na delicadeza dos pequenos sinais, no silêncio e na simplicidade de cada dia.

E que, como Maria, tenhamos coragem de responder quando Deus nos chamar:

“Faça-se em mim segundo a tua palavra.”

Nossa Senhora da Esperança, rogai por nós!

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