
Sexto dia da Novena de Nossa Senhora da Esperança
Há experiências que podem ser especialmente difíceis: reconhecer que erramos, pedir perdão, perdoar quem nos feriu e aceitar que também precisamos ser perdoados.
Quando a reconciliação não acontece, a desunião pode gerar verdadeiras guerras: dentro das famílias, no trabalho, entre vizinhos e até mesmo dentro das comunidades.
Foi a partir dessa realidade que Pe. Paulo de Matos Félix, reitor do Seminário Redemptoris Mater de Brasília, conduziu a reflexão do sexto dia da Novena de Nossa Senhora da Esperança.
“Onde há amor, há comunhão, porque a comunhão é doce, e o amor é doce, onde há comunhão, há reconciliação.”
Maria não procura culpados
A liturgia nos apresenta o chamado à correção fraterna e à responsabilidade que temos uns pelos outros. Quando percebemos que alguém está caminhando por um caminho que pode levar à destruição, não podemos simplesmente permanecer na omissão. Mas a reflexão também nos leva a olhar para Maria.
Nas Bodas de Caná, quando o vinho acaba, Maria percebe uma necessidade e leva essa situação a Jesus. Ela não procura culpados. Não pergunta quem foi responsável pela falta de vinho. Ela simplesmente intercede para que a alegria e a comunhão sejam restauradas.
Essa atitude revela algo muito importante sobre o amor cristão: quem ama não espera necessariamente que o outro peça ajuda. É capaz de perceber sua necessidade e caminhar em sua direção. Maria, que é Mãe de Misericórdia, nos ensina justamente esse movimento.
Primeiro, experimentar o perdão
Para oferecer o perdão, precisamos também reconhecer que somos pessoas que precisam ser perdoadas. Maria, concebida sem a mancha do pecado original, aponta para aquilo que Deus deseja realizar em cada um de nós: uma vida reconciliada com Ele. Não recebemos o perdão porque fizemos tudo certo. Recebemos porque Deus é misericordioso. E experimentar essa gratuidade transforma também a maneira como olhamos para os outros.
Quem se reconhece amado e perdoado por Deus pode aprender a oferecer esse mesmo amor e esse mesmo perdão. Por isso, a reconciliação não é apenas uma questão de resolver conflitos. É uma experiência profundamente cristã: sair de nós mesmos para encontrar o outro.
Uma Igreja chamada à comunhão
O caminho da reconciliação também diz respeito à vida comunitária. A Igreja não é formada por pessoas perfeitas, mas por pessoas que receberam a graça e continuam aprendendo a amar. Por isso, promover a comunhão exige iniciativa, misericórdia e coragem para não permanecer indiferente diante das divisões.
Maria aparece como modelo desse movimento. Ela olha para a necessidade, intercede e aproxima. Sua presença nos recorda que a comunhão não acontece quando todos simplesmente pensam da mesma maneira, mas quando somos capazes de colocar o amor acima do nosso próprio orgulho.
Em uma sociedade que valoriza cada vez mais o “meu tempo”, o “meu espaço” e as próprias realizações, Maria nos ensina uma lógica diferente: a lógica de quem percebe o outro e se dispõe a servi-lo.
Promotores de reconciliação
A esperança cristã também passa por isso. Esperamos porque acreditamos que Deus pode restaurar aquilo que parece perdido. Pode reconstruir relações, curar feridas e devolver a comunhão onde hoje existe distância.
Mas essa esperança pede de nós uma resposta.
Talvez seja necessário pedir perdão. Talvez seja necessário perdoar. Talvez seja necessário simplesmente dar o primeiro passo em direção a alguém.
Peçamos a Nossa Senhora da Esperança, Mãe de Misericórdia, que nos ensine a reconhecer as necessidades daqueles que estão ao nosso redor e a não permanecermos indiferentes.
Que ela nos ajude a experimentar profundamente o perdão de Deus para que também saibamos oferecê-lo aos outros.
E que, em nossas famílias, amizades, comunidades e ambientes de trabalho, sejamos instrumentos de reconciliação, capazes de construir pontes onde antes havia distância.
Nossa Senhora da Esperança, rogai por nós!

Maria não procura culpados


