Publicado em 12 de agosto de 2026
Pe. Rafael gonçalves cezário celebra o quinto dia da novena de nossa senhora da esperança

Quinto dia da Novena de Nossa Senhora da Esperança

“Quem é o maior no Reino dos Céus?”

A pergunta dos discípulos revela algo muito humano: o desejo de ser o primeiro, de ocupar o lugar de destaque, de ser reconhecido. Mas Jesus responde apontando para uma criança e apresenta uma lógica completamente diferente: no Reino de Deus, a grandeza passa pela capacidade de tornar-se pequeno.

Foi a partir dessa passagem que Pe. Rafael Gonçalves Cezário, vice-reitor do Seminário Redemptoris Mater de Brasília e antigo vigário de nossa paróquia, conduziu a reflexão do quinto dia da Novena de Nossa Senhora da Esperança, celebrado na memória de Santa Clara de Assis.

Maria e santa clara de assis, modelos de humildade e confiança em deusA infância espiritual

Uma criança é pequena, depende dos outros e precisa confiar. Não tem outra alternativa senão deixar-se cuidar, deixar-se amar e abandonar-se nas mãos daqueles que dela cuidam. É justamente aí que encontramos o sentido da infância espiritual.

Tornar-se pequeno diante de Deus não significa diminuir o próprio valor. Significa reconhecer que não somos autossuficientes. Que precisamos dele. Que nossa vida não está inteiramente sob nosso controle.

Maria nos mostra esse caminho de maneira singular. A humilde mulher de Nazaré colocou sua vida nas mãos de Deus e permitiu que sua vontade se realizasse nela.

Santa Clara também encontrou na pequenez um caminho de configuração com Cristo. Sua pobreza e simplicidade não eram apenas uma escolha exterior, mas expressão de uma vida que desejava pertencer inteiramente a Deus.

Quando a fraqueza se torna lugar de encontro

A vida, muitas vezes, nos coloca diante de situações que revelam nossos próprios limites. Pode ser uma dificuldade familiar, uma relação que não conseguimos conduzir como gostaríamos, uma preocupação, uma perda ou simplesmente a percepção de que não somos capazes de resolver tudo sozinhos. Essas situações podem nos fazer sentir pequenos.

Mas, para a fé cristã, a pequenez não precisa ser motivo de desespero. Pode ser justamente o lugar onde Deus nos encontra.

O Evangelho do dia apresenta a imagem da ovelha perdida. Para quem se considera parte das 99 que permaneceram, pode parecer absurdo que o pastor deixe todas para procurar uma. Mas, para quem é a ovelha perdida, essa busca revela algo completamente diferente: revela que é amado.

Talvez precisemos, muitas vezes, deixar de nos enxergar como aqueles que têm tudo sob controle e reconhecer que somos também a ovelha que precisa ser encontrada, cuidada e carregada.

Deixar-se carregar

A infância espiritual é, portanto, um convite a abandonar a pretensão de controlar tudo. Não significa deixar de agir ou de assumir responsabilidades. Significa reconhecer que, acima dos nossos esforços, existe um Deus que nos sustenta e que não deseja que nenhum de seus filhos se perca.

Quando nos deixamos carregar por Ele, nossa relação com Deus se torna mais íntima. Aproximamo-nos de seu coração e aprendemos a confiar não apenas quando tudo acontece como desejamos, mas também quando seus caminhos parecem difíceis de compreender.

Maria nos ensina essa confiança. Santa Clara nos mostra que a verdadeira grandeza pode nascer justamente da escolha pela simplicidade e pela entrega.

Talvez, então, o pedido mais importante que podemos fazer a Deus não seja que ele simplesmente resolva todos os nossos problemas, mas que nos conceda a graça de nos tornarmos pequenos o suficiente para confiar nele.

Peçamos a Nossa Senhora da Esperança que nos ensine a abandonar nossas falsas seguranças e a reconhecer, com humildade, que precisamos de Deus.
Que Maria e Santa Clara nos ajudem a recuperar a simplicidade de uma criança: aquela que confia, que espera, que se deixa amar e que permanece perto do Pai.

E que, quando a vida nos fizer pequenos, saibamos reconhecer não uma derrota, mas uma oportunidade de sermos encontrados e carregados pelo próprio Deus.

Nossa Senhora da Esperança, rogai por nós.

Santa Clara de Assis, rogai por nós!

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