
Terceiro dia da Novena de Nossa Senhora da Esperança
A barca está no meio do mar. O vento sopra forte, as águas estão agitadas e os discípulos têm medo. É nesse cenário que Jesus se aproxima e diz uma palavra que atravessa os séculos e chega também a nós: “Coragem! Não tenhais medo.”
No terceiro dia da Novena de Nossa Senhora da Esperança, a celebração foi presidida por Dom Armando Bucciol, bispo italiano e diretor espiritual do Pontifício Colégio Pio Brasileiro, em Roma. A partir do Evangelho de Mateus, o bispo conduziu a comunidade por uma reflexão sobre a fé, o medo e a presença de Deus nas tempestades da vida.
Quando olhamos mais para o vento do que para Jesus
No evangelho, Pedro, ao reconhecer Jesus caminhando sobre as águas, pede para ir ao seu encontro. Por alguns instantes, consegue caminhar. Mas então começa a prestar mais atenção ao vento do que à presença de Cristo – e sente medo. A cena pode dizer muito sobre a nossa própria experiência.
Também nós podemos ficar tão concentrados nas dificuldades, nas preocupações e nos aspectos negativos da vida que deixamos de perceber aquilo que nos sustenta. A tempestade continua existindo, mas nosso olhar muda quando deixamos de fixá-lo apenas no vento e voltamos a olhar para Jesus.
A fé não significa ausência de tempestades. Significa saber em quem colocar a nossa confiança quando elas chegam.
Da agitação à paz
Dom Armando chamou atenção também para outra imagem do Evangelho: a mão de Jesus que se estende para Pedro. Essa mão pode se tornar visível de muitas maneiras na nossa vida. Pode estar em uma palavra amiga, em alguém que se aproxima quando precisamos, em uma pessoa que simplesmente pergunta: “Em que posso ajudar?” Se Jesus estende a mão para nos sustentar, também somos chamados a ser essa mão para os outros.
A vida cristã não nos fecha em nós mesmos. A experiência da fé deve dilatar o coração e nos tornar mais disponíveis para acolher, consolar e ajudar.
Deus também está na normalidade
A Primeira Leitura, com o profeta Elias, oferece outra imagem importante para nossa caminhada: Deus não se manifesta apenas nos acontecimentos extraordinários. Elias encontra o Senhor na brisa suave.
Ao celebrarmos Nossa Senhora da Esperança, somos convidados a atravessar as tempestades sem perder de vista aquele que está conosco. Maria, que permanece junto ao seu Filho e acompanha a caminhada da Igreja, nos ensina a confiar e a seguir adiante.
Peçamos, portanto, a Nossa Senhora da Esperança que fortaleça nossa fé quando os ventos forem contrários, que nos ajude a reconhecer a presença de Deus mesmo nas situações mais simples e que faça de nós também uma presença de esperança para aqueles que precisam de uma mão estendida.
Que possamos, com os discípulos, renovar nossa profissão de fé:
“Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus.”
Nossa Senhora da Esperança, rogai por nós!

Quando olhamos mais para o vento do que para Jesus





