
Primeiro dia da Novena de Nossa Senhora da Esperança
A Novena de Nossa Senhora da Esperança começou nos convidando a olhar para Maria a partir de uma dimensão essencial da vida cristã: o discipulado que exige coragem para tomar a própria cruz.
Na primeira noite da novena, o Pe. Anderson de Lima Alencar, pároco da Paróquia Divino Espírito Santo, na Asa Norte, conduziu nossa reflexão a partir do Evangelho e de uma pergunta fundamental: o que significa, verdadeiramente, seguir Jesus?
“Renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-me”
Ao anunciar aos discípulos que seria entregue, crucificado e morto, Jesus rompeu com a expectativa que eles tinham sobre o Messias. Pedro esperava um Messias vitorioso segundo os critérios humanos; Jesus, porém, revela que seu caminho passaria pela cruz.
É justamente nesse contexto que aparece uma das exigências mais radicais do Evangelho: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e me siga.”
Para o Pe. Anderson, essa palavra continua especialmente desafiadora nos dias de hoje. Vivemos em uma cultura que frequentemente associa liberdade à possibilidade de fazer tudo aquilo que desejamos. O Evangelho, porém, apresenta outro caminho: a verdadeira liberdade passa pela capacidade de dizer “não” aos próprios impulsos e “sim” à vontade de Deus.
Não se trata de uma tarefa fácil. Renunciar ao próprio ego, aos desejos e às vontades pode ser uma verdadeira batalha. Muitas vezes sabemos o que deveríamos fazer, mas encontramos dentro de nós resistência para fazê-lo.
Por isso, o caminho cristão não pode ser percorrido apenas pelas nossas próprias forças. Precisamos da graça de Deus.
Maria: um “sim” que permaneceu firme
É nesse ponto que Maria ganha um lugar especial na reflexão.
Nossa Senhora também foi chamada a abraçar uma vontade que ultrapassava aquilo que ela podia compreender naquele momento. Na Anunciação, Maria pergunta ao anjo como aquilo aconteceria. Ela não compreendia tudo, mas confiou.
Ao longo de sua vida, muitas situações também não foram fáceis: a viagem até Belém, o nascimento de Jesus em uma manjedoura, a fuga para o Egito, as palavras de Simeão, a perda e o reencontro de Jesus no templo e, finalmente, sua presença aos pés da cruz.
Em nenhum desses momentos, porém, Maria recuou. Ela permaneceu.
Maria nos ensina que ter fé não significa necessariamente compreender tudo o que Deus está fazendo. Significa confiar nele mesmo quando não temos todas as respostas.
Seu “sim” não ficou restrito ao momento da Anunciação. Foi um “sim” renovado ao longo de toda a sua vida — inclusive quando seguir a vontade de Deus significou sofrer.
Uma mãe que conhece a nossa batalha
Por isso, Nossa Senhora da Esperança não é uma mãe distante das nossas dificuldades. Ela conhece a luta de quem precisa renunciar, perseverar e confiar.
Aquela que permaneceu firme junto à cruz de seu Filho conhece também as nossas cruzes. Sabe como é difícil abrir mão de certas vontades, romper com o pecado e escolher, dia após dia, aquilo que Deus deseja para nós.
E é justamente por isso que podemos recorrer a ela com confiança.
Maria não nos apresenta um caminho sem cruz. Ela nos ensina a permanecer fiéis mesmo quando a cruz aparece no caminho.
Ao celebrar também a primeira sexta-feira do mês, dedicada ao Sagrado Coração de Jesus, a reflexão nos recordou que queremos ter em nós um coração semelhante ao de Cristo: humilde, obediente e abrasado de amor pelo Pai e pelos homens.
Sozinhos, não conseguimos. Mas contamos com a graça de Deus e com a intercessão de nossa Mãe.
Que, ao longo desta novena, Nossa Senhora da Esperança nos ensine a fazer como ela: confiar, mesmo sem compreender tudo; dizer “sim” à vontade de Deus; e permanecer firmes aos pés da cruz.
Nossa Senhora da Esperança, rogai por nós!




