Publicado em 14 de agosto de 2026
Pe. Fernando alves de souza celebra o sétimo dia da novena de nossa senhora da esperança

Sétimo dia da Novena de Nossa Senhora da Esperança

O que acontece quando a Palavra de Deus realmente encontra espaço em nossa vida? Ela nos transforma. E, muitas vezes, também nos desinstala.

No sétimo dia da Novena de Nossa Senhora da Esperança, Pe. Fernando Alves de Souza, pároco da Paróquia São Pio, no Sudoeste, conduziu a comunidade por uma reflexão sobre Maria e Santa Dulce como mulheres que permitiram que o amor de Deus ultrapassasse suas próprias vidas e se transformasse em cuidado concreto pelo outro.

Enxergar aquilo que muitos não veem

Maria e santa dulce dos pobres, exemplos de compaixão e serviçoA liturgia apresenta o profeta Ezequiel diante de um povo rebelde, que havia se afastado de Deus. Mas a reflexão nos convida a perceber que essa “casa de rebeldes” não está tão distante de nós.

Também podemos nos acomodar. Podemos nos sentir seguros em nossa fé, cumprir nossas obrigações religiosas e, ainda assim, não perceber aquilo que acontece ao nosso redor.

É justamente aí que aparece a dimensão profética da vida cristã: ter os olhos e os ouvidos abertos para reconhecer aquilo que Deus está nos mostrando.

Santa Dulce dos Pobres viveu isso de maneira extraordinária. Ela foi capaz de enxergar pessoas que, para muitos, eram apenas um problema: os pobres, os doentes, os moradores de rua, aqueles que incomodavam justamente por sua presença. Enquanto outros talvez perguntassem o que fazer com aquela realidade, Dulce perguntou como poderia acolhê-la.

A compaixão que desinstala

Há uma imagem particularmente bonita na história de Santa Dulce: sem encontrar espaço para acolher aqueles que buscavam sua ajuda, ela pediu o galinheiro do convento. Ali começou uma obra que cresceria muito além daquele pequeno espaço.

O gesto revela uma característica essencial da compaixão cristã: ela não permanece apenas no sentimento. Ela se transforma em ação.

Santa Dulce não olhou para os pobres de longe. Aproximou-se deles, cuidou deles e reconheceu em cada pessoa uma dignidade que precisava ser protegida.

“O sinal significa perceber o outro, ouvir e escutar que a Palavra está nos chamando da conversão.”

Esse chamado também é nosso.

Pelo Batismo, somos chamados a ser sacerdotes, profetas e reis. Nossa vida deve se tornar um sinal: algo que aponte para Deus justamente porque responde de maneira diferente àquilo que o mundo muitas vezes oferece.

Maria, a humilde serva

Maria está no centro desse caminho. Ela é a humilde serva do Senhor, aquela que não se colocou no centro, mas permitiu que Deus conduzisse sua vida.
Por isso, olhar para Maria é também aprender a perguntar: o que a Palavra de Deus está pedindo de mim hoje?

Não basta ouvir o Evangelho. É preciso permitir que ele confronte nossas comodidades, revele aquilo que precisa mudar e nos conduza ao encontro do outro.

O próprio Evangelho nos recorda a necessidade do perdão. Recebemos de Deus uma misericórdia que não merecemos e somos chamados a transmiti-la. Não podemos desejar ser perdoados enquanto permanecemos presos às culpas dos outros.

Santa Dulce fez da compaixão uma forma de vida. Maria nos mostra a disponibilidade radical de quem diz “sim” a Deus. Ambas nos ensinam que o amor recebido precisa tornar-se amor oferecido.

Uma fé que não fica parada

Talvez um dos maiores riscos da vida cristã seja acreditar que o Evangelho é sempre uma palavra dirigida aos outros. Aos outros que precisam mudar. Aos outros que precisam perdoar. Aos outros que precisam ajudar. Aos outros que precisam se converter. Mas a Palavra de Deus também é dirigida a nós.

Ela nos pergunta se estamos enxergando quem está ao nosso lado. Se percebemos quem precisa de uma palavra, de cuidado, de perdão ou simplesmente de alguém que o reconheça.

Peçamos a Nossa Senhora da Esperança que nos ensine, como Santa Dulce, a ter olhos atentos às necessidades dos irmãos e um coração disponível para servir.

Que a compaixão de Deus, que recebemos gratuitamente, não termine em nós. Que ela atravesse nossas atitudes, nossas famílias, nossas comunidades e nossas relações.

E que, olhando para Maria e Santa Dulce, possamos fazer da nossa própria vida um sinal: um sinal de misericórdia, de acolhimento, de perdão e de esperança.

Nossa Senhora da Esperança, rogai por nós.

Santa Dulce dos Pobres, rogai por nós!

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