
Festa de Nossa Senhora da Esperança, nossa Padroeira.
Depois de nove dias de oração e preparação, nossa comunidade celebrou com alegria a festa de sua Padroeira, Nossa Senhora da Esperança.
Na homilia, nosso pároco, Pe. João Baptista, convidou os fiéis a contemplarem um dos tesouros presentes na própria nave da igreja: o último dos ícones que compõem a Coroa Mistérica, justamente aquele que representa a celebração deste dia: a Dormição de Nossa Senhora.
A imagem nos ajuda a compreender que a esperança cristã não ignora as dificuldades da vida. Pelo contrário: ela nasce da certeza de que, mesmo atravessando as provações, Deus permanece conosco e nos conduz à vida eterna.
Maria atravessou o combate
No alto do ícone, Maria aparece em sua glória. Mas o caminho até lá não foi marcado apenas por alegrias.
A primeira leitura da liturgia apresenta a mulher revestida de sol, diante do dragão que deseja destruir seu filho. A imagem recorda também a experiência da Igreja primitiva, perseguida pelo Império Romano, e de tantos cristãos que permaneceram fiéis até o martírio. Maria é imagem dessa Igreja que atravessa o combate sem abandonar a fé.
Também nós conhecemos nossas próprias provações: problemas familiares, doenças, perdas, crises e momentos em que podemos ter a impressão de que Deus está distante. Mas a festa de hoje nos convida a olhar além daquilo que estamos vivendo. Os sofrimentos do tempo presente não são a última palavra.
Maria atravessou o sofrimento e chegou à glória. Por isso, sua vida se torna para nós um sinal de que vale a pena permanecer fiéis.
O mistério da Dormição

O último ícone da Coroa Mistérica apresenta uma cena particularmente bonita.
Na tradição oriental, a celebração é conhecida como a Dormição de Nossa Senhora: Maria aparece rodeada pelos apóstolos, que permanecem junto dela em oração. São Pedro, à frente, segura o turíbulo, enquanto o incenso sobe: imagem da oração da comunidade que se eleva a Deus.
No centro, Cristo aparece segurando uma pequena figura que representa a alma de Maria. É uma imagem delicada do cuidado de Deus: Cristo acolhe a alma de sua Mãe em seus braços.
Ao mesmo tempo, a Assunção nos recorda que não é somente a alma que está destinada à glória. Maria foi elevada ao céu em corpo e alma.
Corpo e alma destinados à glória
Essa verdade também diz algo sobre nós. A fé cristã não despreza o corpo como se ele fosse apenas uma prisão para a alma. Nosso corpo participa da dignidade da pessoa e também está destinado à glória.
Por isso, cuidar do corpo é também uma responsabilidade cristã. Alimentar nossa vida espiritual, participar dos sacramentos, conhecer a Palavra de Deus e cultivar pequenos gestos de piedade são formas de cuidar da alma. Também precisamos cuidar do corpo que Deus nos confiou, reconhecendo sua dignidade e tratando-o com respeito.
A festa da Assunção nos lembra que somos uma unidade de corpo e alma e que toda a nossa pessoa é chamada à vida plena em Deus.
Uma esperança que olha para o alto
Depois de uma semana inteira meditando sobre a esperança, chegamos à festa da nossa Padroeira com os olhos voltados para aquilo que nos espera. Nossa Senhora não nos promete uma vida sem sofrimento. Sua própria história foi marcada por provações. Ela nos mostra algo maior: é possível atravessar os combates sem perder a esperança.
O mundo passa. As dificuldades passam. Nossa vida terrena também passa. Mas Deus prepara para nós uma realidade que não passa: a vida eterna.
Peçamos a Nossa Senhora da Esperança que interceda por nós, para que saibamos permanecer firmes quando vierem as provações, sem abandonar a fé nem desanimar diante das dificuldades. Que ela nos ensine a cuidar do corpo e da alma, a alimentar nossa vida espiritual e a manter o coração voltado para o céu.
E que, como filhos e filhas da esperança, possamos caminhar nesta vida com a certeza de que Deus é maior do que nossas fraquezas e que nossa história não termina aqui.
Que Nossa Senhora da Esperança nos acompanhe até o dia em que, como ela, contemplaremos plenamente o rosto de Deus.
Nossa Senhora da Esperança, rogai por nós!





