Publicado em 17 de agosto de 2026
Pe. Kleber de lima celebra o nono dia da novena de nossa senhora da esperança

Nono dia da Novena de Nossa Senhora da Esperança

O que é uma esperança que não decepciona?

Talvez o primeiro impulso seja pensar em uma expectativa que finalmente se realiza. Mas a esperança cristã é algo mais profundo: é confiar hoje naquilo que Deus realizará amanhã, apoiando nossa vida não apenas naquilo que esperamos receber, mas naquele que fez a promessa.

Foi o que Pe. Kleber de Lima, nosso vigário paroquial da comunidade, afirmou na reflexão do último dia da Novena de Nossa Senhora da Esperança, a partir da palavra de São Paulo: “A esperança não decepciona.”

Entre a promessa e o cumprimento

Nossa senhora da esperança, sinal da esperança que não decepcionaA vida cristã acontece, de certa maneira, nesse espaço entre aquilo que Deus prometeu e aquilo que ainda irá realizar. Já recebemos muito. Deus nos deu a vida, a família, a comunidade, a Igreja, o Batismo, a Eucaristia e tantos outros dons. Mas ainda esperamos aquilo que será plenamente realizado: a Ressurreição, a vida eterna e a contemplação de Deus.

Maria viveu esse mesmo caminho. Em Nazaré, recebeu a promessa do anjo e esperou. Em Belém, tomou nos braços aquele que havia sido anunciado como o Salvador. Durante os anos da vida de Jesus, guardou acontecimentos e palavras em seu coração. Em Caná, acompanhou o início de sua missão.

E então chegou a cruz. Ali, aquilo que Deus havia prometido parecia, aos olhos humanos, ter sido desfeito. Maria permaneceu junto ao Filho quando a esperança parecia contradizer a realidade.

Mas a cruz não foi o fim.Na Ressurreição, Maria contemplou a força da promessa de Deus realizada. Depois, junto aos discípulos, recebeu o Espírito Santo em Pentecostes, testemunhando novamente o cumprimento de uma promessa divina.

E hoje, na Assunção, contemplamos Maria no céu, de corpo e alma: a promessa plenamente realizada.

O melhor momento pode ser agora

Pe. Kleber nos propõe uma reflexão muito bonita:

Se pudéssemos perguntar a Maria qual foi o melhor momento de sua vida, o que ela responderia?

Talvez em Nazaré fosse “agora”. Em Belém, “agora”. Aos pés da cruz, “agora”. Na Ressurreição, “agora”. Em Pentecostes, “agora”. E hoje, na glória do céu, novamente “agora”. A pergunta também chega até nós!

É comum olhar para trás e imaginar que os melhores momentos ficaram no passado. Podemos acreditar que nossa vida foi melhor quando alguma coisa acontecia de determinada maneira, quando tínhamos determinada idade, determinada condição ou determinada oportunidade.

Mas a esperança cristã nos ensina a não viver presos ao passado.

Deus ainda não terminou sua obra em nós.

Aquilo que Ele ainda não realizou não significa que tenha esquecido de nós. Significa que ainda estamos caminhando dentro do tempo, em direção ao cumprimento de suas promessas.

Uma esperança que não decepciona

Maria é, por isso, sinal e modelo de esperança. Sua vida não foi uma sucessão de acontecimentos fáceis. Houve espera, incompreensão, sofrimento e cruz. Mas em nenhum desses momentos a promessa de Deus deixou de ser verdadeira.

A esperança de Maria não estava fundamentada na certeza de que tudo aconteceria como ela imaginava. Estava fundamentada na fidelidade de Deus. É essa esperança que somos chamados a cultivar.

Quando não sabemos o que virá, podemos confiar. Quando uma situação parece não ter saída, podemos confiar. Quando olhamos para nossa própria história e enxergamos mais perguntas do que respostas, podemos confiar. Porque nossa esperança não depende apenas daquilo que conseguimos enxergar.

Peçamos a Nossa Senhora da Esperança que nos ensine a confiar em Deus no presente, mesmo quando ainda esperamos aquilo que Ele realizará no futuro. Que ela nos ajude a não viver presos ao que passou, mas a reconhecer tudo aquilo que Deus já fez e, ao mesmo tempo, permanecer abertos àquilo que ainda fará em nossa vida.

E que, nos perigos, nas angústias e nas incertezas, saibamos voltar nosso olhar para Maria e recordar as palavras de São Bernardo:

“Se a segues, não podes te desviar. Se lhe rezas, não podes desesperar. Se ela te ampara, não cais. Se ela te guia, não te cansas. Se ela te acolhe, alcançarás a meta.”

Que Nossa Senhora da Esperança nos acompanhe até a meta e nos ensine a viver uma esperança que, apoiada na fidelidade de Deus, não decepciona.

Nossa Senhora da Esperança, rogai por nós!

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